
Uma paulista com duas casas em Minas Gerais. Embora nascida em São José do Rio Preto, Caroline de Oliveira Saad Gattaz “se tornou mineira” devido aos 12 últimos anos, os quais vestiu as camisas dos rivais Praia Clube e Minas. E ela não poupa elogios às duas instituições que a acolheram tão bem entre 2014 e 2026. Esses, inclusive, foram os últimos e mais vitoriosos anos da longeva carreira como atleta da central de 44 anos que se aposentou em março.
Carol Gattaz, como é conhecida em todo o mundo do vôlei, deu uma entrevista exclusiva ao No Ataque diretamente do Praia, clube em Uberlândia que foi palco dos últimos atos da meio de rede que foi prata nos Jogos Olímpicos aos 40 anos – em Tóquio 2020, que ocorreu em 2021 por causa da pandemia do coronavírus, ela se tornou a brasileira mais velha a ficar com uma medalha olímpica.
No entanto, para além de qualquer fama nacional e internacional, há uma conexão bem específica entre a paulista Carol Gattaz e Minas Gerais. A atleta passou os últimos 12 anos no estado em que viveu os melhores momentos da carreira como atleta de vôlei, se aposentou e também viveu questões importantes da vida pessoal. Até por isso, aceitar a proposta do Minas em 2014 foi a “melhor decisão da vida”, como a própria revelou à reportagem.
Gattaz e Minas sempre estarão conectadas
Uma década, sendo nove anos como capitã. Carol Gattaz, definitivamente, estará, para sempre, conectada com o Minas Tênis Clube. Mesmo com o fim de carreira no grande rival Praia Clube, a histórica central nunca deixou de falar com carinho sobre o time de Belo Horizonte. Ela até relembrou, ao No Ataque, que foi o clube da “virada de chave”.
“Com certeza, o Minas está no meu coração, sempre vai estar. É o clube que me deu a virada de chave. Eu falo que, sem o Minas, talvez eu não teria essa história linda que eu tive. Foi um clube que sempre me acolheu, que me ressuscitou, me reenergizou. Tudo o que eu falo são coisas boas, porque o Minas me deu isso também. Eu pude me tornar quem sempre gostei e gostaria de ter sido. Fui capitã por nove anos. E para mim foi uma experiência muito enriquecedora também”
Carol Gattaz, ícone do vôlei
Só que essa chegada ao Minas não estava no script. Apesar de ter uma relevante carreira, Carol Gattaz se viu sem time aos 33 anos, precisamente em setembro de 2014, após passagem pelo Campinas. Foi naquele momento que o Minas a procurou – mesmo com um elenco já praticamente formado – e a sua história no voleibol foi transformada de vez. A central se tornou o rosto de uma das eras mais vitoriosas da história do Minas. E até por isso, foi a decisão mais importante da vida.
“Tiveram vários momentos lá. Quando cheguei ao Minas, em 2014, eles já tinham contratado praticamente todo mundo, incluindo até a Walewska. E aos 49 do segundo tempo, em setembro, eles fizeram uma proposta, e eu estava assim: ‘Poxa, será que eu vou, será que eu não vou?’. Eu estava sem time na época, obviamente que eu fui. E foi a melhor decisão da minha vida”, destacou Gattaz.
“Foi a melhor decisão que eu fiz na minha vida, porque era um time que estava cotado para ficar entre os oito – fazia muito tempo que nem classificava – e, a partir daquele ano, nós fomos em todas as semifinais. E todos foram importantes, mas o título mais importante foi o de 2018/19, porque, 17 anos que o Minas não ganhava uma Superliga, e a gente foi lá e ganhou”
Gattaz, central que brilhou pelo Minas por uma década

E esse time minas-tenista de 2018/19 era tão especial que foi definido por Gattaz como o “time do sonhos”. Sob comando do técnico italiano Stefano Lavarini, a equipe venceu Mineiro, Superliga, Copa Brasil e Sul-Americano, além de ter ficado com a prata no Mundial de Clubes, na última vez que um time brasileiro chegou à final.
“Era um timaço, timaço. Imagina poder jogar com Natália [Zílio], Gabizinha [Gabi Guimarães]. Era um time dos sonhos. A gente ganhou tudo aquele ano. A gente ganhou vários títulos pelo Minas, todos importantes, Todos os momentos lá foram perfeitos, importantes, e eu contribuí muito para o Minas ser o que ele é hoje, em termos de fãs, em termos de presença. Então, eu fico muito orgulhosa de ter feito parte dessa história”, arrematou Carol.
O acolhimento no Praia Clube
Após 10 anos com a camisa do Minas, talvez seria impensável uma ida ao Praia Clube. Mas não foi. E a mudança de ares foi bastante exaltada pela própria central. Bem recebida por todos no time de Uberlândia, incluindo a torcida, Carol Gattaz não poupou elogios ao clube que defendeu por duas temporadas (de 2024 a 2026) e conquistou o Sul-Americano de Clubes de 2025 – ironicamente, a taça foi levantada na Arena UniBH, casa do Minas, porque o ginásio em Belo Horizonte foi a sede do torneio.
“Com certeza. Tenho outra casa [em Minas Gerais] sem dúvida nenhuma. Todo o pessoal aqui do Praia Clube sempre me acolheu muito desde que eu cheguei aqui, por mais que eu tenha sido rival por dez anos. Eles me receberam como se eu estivesse em casa mesmo, de braços abertos, e eu me senti super acolhida”
Carol Gattaz, jogadora do Praia Clube
Só que a passagem de Carol Gattaz pelo Praia Clube foi prejudicada por uma grave lesão no joelho esquerdo em março de 2025, quando era titular absoluta e destaque da equipe. Com a ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA) e outras complicações na articulação, a central não conseguiu jogar em alto nível e encerrou a carreira com algumas participações no duelo com o Tijuca, em 24 março, na 22ª e última partida da fase inicial da Superliga.

E mesmo com todo esse problema, o Praia Clube não largou a mão de Carol Gattaz: “Até a minha lesão, eu estava muito bem aqui, em primeiro no ataque. A gente estava em primeiro da Superliga. E aí foi tudo muito rápido o que aconteceu, né? Foi uma fatalidade, e eu já estava muito feliz aqui. Eu sempre fui muito bem acolhida. E quando eu tive minha lesão, desde o primeiro dia, eles falaram: ‘Olha, pode ficar tranquila que a gente está com você’. E fizeram tudo que eu solicitei, me deram todo o suporte”.
“Eu sou super grata por tudo o que eles fizeram para mim até aqui. É um dos maiores clubes do Brasil. É impressionante, lindo aqui. E não é só no vôlei, mas em todos os esportes. Então é uma honra poder ter terminado minha carreira aqui. Quem vem para cá realmente fica maravilhado com toda essa natureza, esse clima gostoso de interior também. É um universo aqui dentro de uma cidade. É um privilégio”
Carol Gattaz, medalhista olímpica de vôlei
E a central segue acompanhando o Praia Clube nas partidas da Superliga Feminina de Vôlei. Nesta sexta-feira (17/4), às 21h, o clube de Uberlândia enfrentará o Flamengo no Maracanãzinho, e Gattaz estará no ginásio com a equipe. Em caso de vitória, a equipe se classificará à decisão da liga nacional. Se perder, o terceiro jogo, em 24 de abril, no mesmo horário e local, decidirá o finalista.
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