A conquista de uma Copa do Mundo é, definitivamente, um feito para poucos. Entre os campeões vinculados à história do Atlético, somente dois jogadores venceram o Mundial enquanto defendiam a camisa preta e branca. O último deles alcançou a façanha em 2002, no pentacampeonato da Seleção Brasileira.
Volante de bom posicionamento e capacidade de marcação, Gilberto Silva trocou o América pelo Atlético na virada de 1999 para 2000. A primeira passagem pelo Galo teve 95 jogos e chegou a ser interrompida por quatro meses em virtude de uma fratura na tíbia direita.
O auge com a camisa preta e branca ocorreu em 2001 – ano em que o Atlético foi eliminado pelo São Caetano nas semifinais do Campeonato Brasileiro. O ótimo nível do meio-campista no time comandado por Levir Culpi o fez ser convocado por Felipão à Seleção Brasileira pela primeia vez em novembro.
A Copa do Mundo de Gilberto Silva
A briga pela titularidade na posição era acirrada. Dias antes da Copa do Mundo disputada no Japão e na Coreia do Sul, o volante Emerson se machucou sozinho em um treinamento e acabou cortado da lista, deixando caminho aberto para que o mineiro de Lagoa da Prata assumisse o posto em definitivo.
Com a camisa 8 da Seleção Brasileira, Gilberto Silva foi titular em todos os sete jogos daquele Mundial. “Carregador de piano”, o jogador do Atlético facilitava o trabalho de astros como Cafu, Roberto Carlos, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo e Ronaldo.
Depois do torneio, o volante “silencioso” ganhou holofotes na mídia nacional. Respeitado pelo trabalho eficiente dentro das quatro linhas, sequer voltaria a jogar pelo Atlético.
A saída de Gilberto Silva do Atlético
No dia 26 de julho de 2002, semanas após a conquista da Copa do Mundo com a Seleção Brasileira, Gilberto Silva foi vendido pelo Atlético ao Arsenal, da Inglaterra. O Galo topou receber 7 milhões de dólares líquidos pelos 80% que detinha do passe do jogador – o montante correspondia a aproximadamente R$ 21 milhões na cotação da época.
“É difícil expressar em palavras a relação com a torcida atleticana. Há um respeito mútuo. No Atlético, conquistei amigos e
Gilberto Silva, em julho de 2002
só posso deixar meu agradecimento. O torcedor me apoiou e o Atlético me deu oportunidade para dar seqüência ao meu trabalho.”
“Fica na memória o grito do meu nome pela torcida, no Mineirão lotado. A Massa cantando o hino, que arrepia qualquer profissional”, destacou o volante àquela altura.
Na época, o Arsenal pediu a Alexandre Kalil, então presidente do Conselho Deliberativo do Atlético, para que não confirmasse a negociação à imprensa. “Eles também fazem uma pirotecnia. Futebol é igual no mundo inteiro. Mas o negócio está fechado. Só aceitamos fechar com o Arsenal depois que a forma de pagamento dos 20% e o contrato de Gilberto Silva foram acertados”, disse o dirigente.
Como pontuou o Estado de Minas na data da confirmação da transferência, o Atlético atravessava grave situação financeira, e os recursos foram majoritariamente usados para o pagamento de dívidas. “Não vamos sonhar porque não faremos loucuras. Vamos
pagar para quem devemos porque temos responsabilidade e honraremos nossas dívidas. Os funcionários vão ser os primeiros a receber assim que o dinheiro chegar”, enfatizou Alexandre Kalil.
A sequência da carreira de Gilberto Silva
O pentacampeão mundial faria história no Arsenal entre 2002 e 2008, com 244 partidas e 24 gols. Apelidado pela torcida dos Gunners como “Muro Invisível”, conquistou a Premier League na temporada 2003/2004, a Copa da Inglaterra em 2002/2003 e em 2004/2005 e a Supercopa da Inglaterra em 2002 e 2004 – foi também vice-campeão da Champions League em 2006.
O volante ainda passaria por Panathinaikos-GRE e Grêmio antes do retorno ao Atlético, em 2013. Como zagueiro, Gilberto Silva venceu mais um Campeonato Mineiro pelo Galo naquele ano e a Copa Libertadores de forma inédita.
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