O ambiente construído pela torcida da Seleção Brasileira na vitória por 2 a 1 sobre os Estados Unidos, nesse sábado (6/6), impressionou a técnica Emma Hayes. Exatamente 30.851 torcedores estiveram na Neo Química Arena, em São Paulo, para empurrar a equipe nacional e incomodar as adversárias. Objetivo alcançado.
Emma Hayes mencionou a arquibancada ao entrar no tópico ‘coisas sobre as quais não tem controle’. Questionada sobre o gramado, afirmou que viu jogadoras caindo ao longo da partida, mas que não gosta de se debruçar sobre assuntos que fogem da alçada.
A treinadora não mediu palavras para elogiar a torcida e a ‘atmosfera incrível’. Explicou que prepara o time para ambientes adversos, mas que não tem como medir a pressão até sofrê-la. Garantiu, ainda, que é a primeira vez que muitas atletas dos Estados Unidos jogam diante de tanta tensão.
“Não quero focar em coisas que não controlo. Eu vi várias jogadoras caindo, mas não quero focar, porque não posso controlar. Foi uma atmosfera incrível. Por mais que eu prepare minha equipe o máximo possível para isso, nós não sabemos de verdade até experienciar. Tenho certeza que, para muitas das minhas jogadoras, foi a primeira vez que experienciaram intensidade da torcida”
Emma Hayes, técnica dos EUA
Os EUA abriram o placar aos dois minutos, com a atacante Sophia Wilson. Contudo, o gol não abalou a Seleção Brasileira, que restabeleceu a marcação e assumiu o controle da partida. Aos 13 minutos, o placar já estava favorável às mandantes – as atacantes Tainá Maranhão e Bia Zaneratto balançaram as redes.
“A realidade é que começamos o jogo, marcamos um gol. Quando jogamos nessas situações, especialmente a parte inicial, você tem que competir e ficar no jogo. O Brasil aproveitou as chances muito bem na reta inicial e dificultou para nós. É um grande ensinamento para meu time. E a atmosfera com certeza contribuiu para isso”, continuou.
Apesar de estar em lado oposto, Emma Hayes gostou do que testemunhou na arquibancada. A aposta da treinadora é que na Copa do Mundo o barulho será ainda maior, o que dimensiona a importância de atuar em solo brasileiro antes da competição.
“A torcida é adorável. Para mim, isso é elite. E tenho certeza que vai ser ainda mais alto na Copa do Mundo. É por isso que estamos aqui, para experienciar”
Emma Hayes, técnica dos EUA
‘É o melhor time do mundo fazendo isso’
Na visão de Emma Hayes, o Brasil se sobressai mundialmente em um aspecto: vencer duelos. “Quando jogamos no Brasil, temos que aceitar que é um jogo de combates. É o jogo. Se é o primeiro ou segundo contato, é o jogo. Você não tem que necessariamente controlar como faz com outros adversários. E o Brasil é o melhor time do mundo fazendo isso, essa parte do jogo”, avaliou.
Os Estados Unidos cresceram na segunda etapa e pressionaram. Mas pararam no sistema defensivo da Seleção Brasileira. Para a treinadora, o duelo escancara o nível do embate – não à toa as equipes disputaram o ouro olímpico em 2024 – e significa desafio.
“Fizemos melhor trabalho nos segundo tempo. Dominamos e criamos chances suficientes para empatar. Mas é preciso ter qualidade na última parte do campo, fazer decisões corretas e no tempo correto. E a diferença entre os dois times é que o Brasil aproveitou as chances. É exatamente o que eu esperava. Os dois são grandes times. Nós jogamos a final da Olimpíada. A distância é muito pouca. Foi um jogo divertido. O alto nível é sobre detalhes. E estou feliz pela experiência, porque, se quisermos coisas fáceis, ficamos em casa e jogamos em Los Angeles ou algo assim. Mas não escolhemos coisas fáceis”, completou.
Outro Brasil x EUA
Não acaba por aí. A Seleção Brasileira voltará a enfrentar os Estados Unidos já nesta terça-feira (9/6), às 21h30, dessa vez no Castelão, em Fortaleza. Ambas as partidas fazem parte do cronograma de preparação para a Copa do Mundo de 2027, a ser disputada em solo nacional.
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