O ano de 2026 tem sido de movimentações intensas nos bastidores do Cruzeiro. Com a iminente saída de Christian para o futebol da Rússia, o clube ultrapassou a expressiva marca de R$ 200 milhões arrecadados com a negociação de direitos econômicos. O sucesso nas vendas de jovens talentos e peças valorizadas dá sustentação financeira para que a Raposa continue investindo de forma proporcional na qualificação do elenco, mantendo o equilíbrio entre a responsabilidade fiscal e a ambição esportiva.
O mapa das vendas: quase R$ 220 milhões em caixa
Somadas as principais transferências da temporada, o faturamento do Cruzeiro com a saída de atletas atinge quase R$ 220 milhões. Para se ter uma ideia do impacto desse montante, o valor corresponde a 36% de toda a receita gerada pela atividade esportiva do clube no ano de 2025.
A venda de Christian ao Krasnodar, da Rússia, renderá US$ 10 milhões (R$ 51,7 milhões) à Raposa. No entanto, o maior montante individual veio da Itália: o lateral-esquerdo Kaiki Bruno foi negociado com o Como por 14 milhões de euros (R$ 83 milhões).
Confira o balanço detalhado das saídas em 2026:
- Kaiki Bruno (lateral-esquerdo): Vendido ao Como (Itália) por 14 milhões de euros (R$ 83 milhões).
- Christian (volante): Vendido ao Krasnodar (Rússia) por US$ 10 milhões (R$ 51,7 milhões).
- Kauã Prates (lateral-esquerdo): Vendido ao Borussia Dortmund (Alemanha) por 7 milhões de euros (R$ 41,5 milhões) fixos, com bônus que podem elevar o negócio para 12 milhões de euros (R$ 71,2 milhões).
- Cauan Baptistella (meia): Vendido ao Metalist (Ucrânia) por 5 milhões de euros (R$ 30 milhões).
- Ryan Guilherme (volante): Vendido ao Rio Ave (Portugal) por 2,5 milhões de euros (R$ 15 milhões). Como o Cruzeiro detinha 85% dos direitos, garantiu cerca de R$ 13 milhões.
A arrecadação poderia ter sido ainda maior, mas a diretoria celeste blindou o elenco e recusou propostas do Zenit, da Rússia, pelo zagueiro Jonathan Jesus, e do Flamengo pelo atacante Kaio Jorge.
R$ 300 milhões em reforços
Se o dinheiro entra com as vendas, a diretoria não hesita em abrir o bolso. Com as chegadas recentes, o Cruzeiro superará R$ 300 milhões em reforços para manter o time competitivo nas disputas da Copa do Brasil, Copa Libertadores e Brasileirão.
Para a lateral esquerda, vaga aberta pelas saídas de Kaiki e Kauã Prates, o clube buscou Gabriel Rojas junto ao Racing, da Argentina, por R$ 31 milhões. O setor ofensivo também ganhará o reforço de peso de Gabriel Pec, do Los Angeles Galaxy (EUA), em uma operação que superará os R$ 60 milhões.
No início do ano, o Cruzeiro quebrou o recorde de sua história ao contratar o meio-campista Gerson junto ao Zenit, por 27 milhões de euros operacionais — transação que, com metas contratuais, atinge 30 milhões de euros (R$ 180 milhões).
Além dele, o clube exerceu a cláusula de compra de Luis Sinisterra, desembolsando 3,5 milhões de euros (R$ 21 milhões) ao Bournemouth, da Inglaterra, por 50% dos direitos do colombiano, que teve seu vínculo ampliado até o fim de 2028.
Planejamento da SAF: a busca pela autossustentabilidade
Em entrevista ao No Ataque em abril, o vice-presidente do Cruzeiro, Pedro Junio, destacou que todo esse fluxo não é por acaso. Segundo o dirigente, a gestão — que completou dois anos — segue rigidamente um plano de aportes desenhado em 2024, época em que seu pai, Pedro Lourenço, adquiriu 90% das ações da SAF que pertenciam ao ex-jogador Ronaldo Nazário.
O objetivo final é claro: tornar o Cruzeiro uma instituição totalmente autossustentável em um prazo de seis a oito anos. Pedro Junio explicou que os aportes financeiros iniciais, inclusive a histórica compra de Gerson, eram estritamente necessários para encurtar a distância para rivais que dominam o cenário nacional financeiro há quase uma década, como o Flamengo (com faturamento anual acima de R$ 2 bilhões) e o Palmeiras (que fechou 2025 com R$ 1,8 bilhão em receitas).
“Desde o primeiro dia em que pisamos no clube, tínhamos o planejamento de aportes. Estamos seguindo à risca. Mas temos o planejamento de no máximo oito anos ver o clube sustentável. Para ser sustentável, precisa figurar nos principais campeonatos e ganhar títulos. Isso passa pela estruturação do elenco, um elenco mais competitivo, robusto e forte. (…) Em médio e longo prazo, esses aportes vão diminuir e o clube caminhará com as próprias pernas”.
Salto nas receitas e estabilização da dívida
O reflexo desse choque de gestão já aparece nos balanços. Em 2025, o Cruzeiro registrou um faturamento bruto de R$ 648 milhões — mais que o dobro dos R$ 307 milhões arrecadados em 2024. O grande motor dessa explosão financeira foi o setor de patrocínios, que saltou de R$ 50,7 milhões para R$ 280 milhões.
Outras áreas também apresentaram crescimento:
- Direitos de transmissão e performance: de R$ 138 milhões para R$ 176 milhões.
- Bilheteria e programa de sócio-torcedor: de R$ 83 milhões para R$ 120 milhões.
- Publicidade: de R$ 7 milhões para R$ 26 milhões.
- Royalties e licenciamento: de R$ 15 milhões para R$ 25 milhões.
Nas pendências financeiras, o clube demonstra estabilidade. De acordo com os critérios do economista César Grafietti no Relatório Convocados 2026, a dívida da Raposa fechou em R$ 1,275 bilhão (um leve incremento se comparado ao R$ 1,265 bilhão de 2024).
Desse montante, pelo menos metade está estruturada no plano de recuperação judicial do clube, com pagamentos programados e diluídos até o ano de 2041.
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