A trajetória de Alex no Cruzeiro ganhou seus principais capítulos em 2003, na histórica conquista da Tríplice Coroa. Mas diferente do que muitas podem pensar, o ex-meia não viveu apenas momentos de glória na Toca da Raposa. Antes de colher grandes frutos ao lado do técnico Vanderlei Luxemburgo, o camisa 10 teve uma primeira passagem conturbada.
Alex jogou no Cruzeiro em 2001, saiu, e retornou em 2002. A segunda estadia em Belo Horizonte foi vitoriosa e o consagrou como um dos maiores nomes da história do clube.
Nesta terça-feira (21/7), a relação entre Cruzeiro e Alex completa exatos 25 anos. Foram 122 jogos entre 21 de julho de 2001 e 16 de maio de 2004, marcados por 64 gols e 61 assistências.
O ‘Talento Azul’ capitaneou a Raposa nos títulos do Campeonato Brasileiro de 2003, da Copa do Brasil de 2003 e dos Campeonatos Mineiros de 2003 e 2004.
Primeira passagem de Alex pelo Cruzeiro
Após anos de glórias por Coritiba (1995 a 1997) e Palmeiras (1997 a 2000), Alex foi tentar a sorte no futebol europeu. Na época, o Campeonato Italiano era considerado o mais forte do mundo. Por isso, a transferência para o Parma foi vista com bons olhos.
Essa passagem, porém, atrasou a carreira de Alex por cerca de três anos. Sem espaço no clube, acabou sendo emprestado de formas consecutivas para vários times: primeiro, para o Flamengo (2000), e depois para Palmeiras (2001 e 2002) e Cruzeiro (2001).
Alex chegou ao Cruzeiro em litígio judicial com o Parma. Ele tentava na Justiça a rescisão com a equipe italiana enquanto buscava se reestabelecer. Mas a primeira passagem pela Toca não terminou de forma positiva. O ex-meia cita a relação com o técnico Marco Aurélio e os dirigentes Zezé e Alvimar Perrella como um dos fatores responsáveis pelo insucesso.
“Joguei pelo Cruzeiro em 2001, depois da Copa América na Colômbia, por meio de uma liminar da Justiça do Trabalho. Eu estava em uma briga com a Parmalat (dona do Parma). Então eu jogava com uma liminar, e a Parmalat derrubava com outra. Isso me prejudicou, acho que fiz só 15 jogos em 2001. Na virada do ano, o Marco Aurélio e os Perrellas não me queriam mais”, disse Alex ao podcast Benja me Mucho, em 2024.
Dos 122 jogos de Alex pelo Cruzeiro, 17 foram em 2001. Ele marcou quatro gols. A Raposa tentou formar um elenco estrelado no segundo semestre daquele ano, mas não teve sucesso. O time terminou o Brasileirão em 21º lugar.
Além do camisa 10, os Perrellas apostaram em estrelas como o volante Freddy Rincón e o atacante Edmundo. A equipe não conseguiu vencer um grande título nesse período, tendo que aguardar até 2003 para voltar a levantar um torneio de grande porte.
“Ninguém mais me queria, inclusive jogadores. Do nosso lado também não queríamos voltar para o Cruzeiro. Minha mulher me mostrou uma lista do que falavam de mim nos programas de TV. Sei até hoje as críticas que eu recebi. Eu tinha muita raiva dos Perrellas, foram eles que me mandaram embora.”
“Quando eu sou mandado embora, o Zezé era o presidente e o Alvimar era o diretor. Quando eu volto, o Alvimar era presidente e o Zezé era diretor. Não encontrei eles para assinar contrato, assinei com o diretor de futebol, que era o Eduardo Maluf. Fui ver eles depois.”
Retorno de Alex ao Cruzeiro
Quando assume o Cruzeiro em 2002, Luxemburgo busca Alex, que enfim havia ficado livre do contrato com o Parma. Ali começaria a trajetória que resultaria em títulos no ano seguinte.
“(Lidar com) jogador e torcedor era fácil. Era só eu ir para campo e resolver. Precisava de mim e da confiança da comissão técnica. O Vanderlei me bancou. Com os Perrellas era mais difícil porque eu sabia que em algum momento aquilo ia virar.”
“Teve um jogo, Cruzeiro e Atlético, foi 4 a 2 para nós, fiz dois gols e dei duas assistências. Os dois estavam no vestiário. Abracei todo mundo no vestiário e por eles passei direto, porque a raiva que eu tinha era muito grande. Isso foi diminuindo ao longo do tempo, porque eu via que não fazia bem para mim.”
Partida de estreia de Alex no Cruzeiro
A estreia de Alex pelo Cruzeiro ocorreu em amistoso contra o Villa Nova, no Estádio Municipal Newton Ribeiro, em Capelinha, no interior de Minas Gerais. O placar foi 1 a 1, com gol do zagueiro Cleber Américo para a Raposa.
Alex foi Bola de Ouro em campanha da Tríplice Coroa
Nenhuma temporada das 124 temporadas do Cruzeiro foi tão prolífica quanto a de 2003. Treinada por Vanderlei Luxemburgo, a Raposa encerrou o primeiro semestre com títulos invictos no Campeonato Mineiro e na Copa do Brasil.
E o ritmo não diminuiu na segunda metade do ano. O time venceu o Campeonato Brasileiro com 100 pontos. Feito único até os dias atuais, conquistado com campanha de 72,5% de aproveitamento – 31 vitórias, sete empates e oito derrotas.
O principal jogador do Cruzeiro em todos esses troféus foi Alex. Afetado por transferências malsucedidas no início do século 21, o meia se encontrou em sua segunda passagem pelo Cruzeiro. Em pleno auge da carreira, o Talento Azul entregou gols e assistências e foi eleito o Bola de Ouro do Brasileirão de 2003.
No empate por 1 a 1 com o Flamengo, na partida de ida da final da Copa do Brasil, Alex marcou um golaço de letra que impressionou o Maracanã. O título foi decidido no Mineirão, com outra cartada de mestre: o ídolo celeste deu três assistências na vitória por 3 a 1 sobre o Rubro-Negro.
Do Cruzeiro para o futebol europeu
Valorizado pelo bom desempenho no Cruzeiro, Alex desejava voltar a jogar no futebol europeu. Quando o contrato com a Raposa terminou, em junho de 2004, o armador fechou com o Fenerbahçe, da Turquia. Ele permaneceu por lá até 2012.
Em seguida, Alex retornou ao clube que o revelou para encerrar a carreira. O meia jogou pouco mais de dois anos no Coritiba até a oficialização da aposentadoria, em dezembro de 2014.
Ídolo de Coxa, Palmeiras, Cruzeiro e Fenerbahçe, Alex também teve passagens curtas por Flamengo e Parma, da Itália. Pela Seleção Brasileira, atuou em 49 jogos e fez 12 gols.
from No Ataque https://ift.tt/e9F6AHN
via IFTTT
Comentários
Postar um comentário